Eu tou sentindo uma terrível ausência de mim mesma, ausência de quando as coisas costumavam ser como eram. E como eram? Não exatamente ausência, uma espécie de saudade de um dos meus "eus" que talvez nunca tenha existido ou existe e sou exatamente eu, mas isso não me importa muito.
Tem gente que não gosta desse lado efêmero da vida, eu particularmente adoro. Adoro sentir essa saudade do que eu costumava ser, essa ausência de uma personalidade que está comigo o tempo todo, essa saudade de pessoas que estão ao meu lado o tempo todo. Não sei, não consigo entender, acho complicado, complicado demais, complexo, difícil, estranho, até parece uma personalidade minha em uma língua que eu mesma desconheço.
E eu sinto isso, esse aperto estranho que as vezes torna difícil até mesmo respirar, essa falta de tudo. E de nada. Falta de que? Não sei, só falta. Esse cansaço de querer tudo e ao mesmo tempo achar que nada importa. Essa vontade de me abraçar em mim mesma e ficar só por uns instantes, os instantes necessários. Eu me sinto cansada, cansada do impossível, cansada do difícil, cansada das pessoas, as pessoas efusivas, as pessoas simpáticas demais, as pessoas pra quais tudo sempre parece dar certo, tudo sempre parece estar indo tão bem.
Esse conflito me mata, me tortura, me esmaga, me esmaga de todas as maneiras. Isso dói. Isso é incômodo. Essa angustia de tudo e de nada. Esse medo do conhecido e essa vontade de agarrar tudo que eu desconheço. Esse conflito. Esse conflito. Esse conflito. Angustiante, irritante, chato, cansativo. Essa falta de mim, essa saudade de mim. Essa crise existencial. Tudo isso! Eu não gosto, eu detesto e eu desprezo, mas faz bem, sempre faz bem.
E passa, tudo sempre passa, tem que passar.
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