Fazia algum tempo que eu não tinha tanta vontade de escrever como eu estou tendo nos últimos dias. Eu fecho a porta do quarto e os temas me vem a cabeça. Eu me desligo da aula e passo a pensar nisso, eu gosto de escrever, assim como eu gosto de ler. Eu coloco uma lista de músicas e a história vai evoluindo conforme muda a música, a melodia e a letra. As letras e seus significados.
Quem nunca ouviu uma música e ela remeteu a um momento único? Quem nunca leu uma letra e se identificou pensando que era tudo que queria dizer pra alguém ou pro mundo? Quem nunca teve uma mudança súbita de humor devido a uma melodia – triste ou feliz. Agora eu estou ouvindo Stereophonics, mas meus melhores textos, na minha opinião, são os embalados pelo som dos Beatles, do Oasis e às vezes Foo Fighters e Jet.
A verdade é que eu prefiro perder o dia em que não chego em casa, me sento na cama ou na mesa e coloco uma música que ficou na minha cabeça durante a manhã toda, uma música que deixou meus amigos irritados por eu cantar repetidas vezes – geralmente, uma única e pequena parte que me lembro. E eu concordo com Nietzsche: sem música, a vida seria um erro. Músicas trazem lembranças, músicas trazem memórias, músicas marcam momentos, músicas lembram amigos, lugares, datas, épocas, sentimentos. Tudo isso cabe em uma música, não só pra quem a escreve, mas também pra quem lê, ouve e interpreta das mais variadas maneiras possíveis. A música exprime tudo em uma linguagem que a razão não tem capacidade de interpretar ou entender. Deixando tudo para o lado emocional e subjetivo.
Pra mim, a música consegue exprimir o inexprimível. Me faz sentir coisas, pensar sobre as minhas atitudes. A música me faz feliz, eu não sei viver sem fones de ouvido ou alto-falantes, eu não sei limpar ou organizar lugares sem uma música que traga inspiração suficiente pra isso. Eu não sei e eu não quero aprender, porque não quero ter que viver sem música. Pra mim, a música é o tipo mais perfeito de arte, é algo que não é pra qualquer um, até porque se fosse, não teríamos os genios e os lixos. Mas eu admiro e parabenizo aqueles que sabem fazer música, música de verdade. Finalizando, Aristóteles: “A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição.”